segunda-feira, 21 de abril de 2014

Visões do Passado - Grupo Escolar Conselheiro Jesunino Marcondes

Por: Luiz Gastão Gumy



Alguns dados relacionados com o primeiro estabelecimento oficial de ensino de nossa cidade – O Grupo Escolar Conselheiro Jesuíno Marcondes.
A obra, em alvenaria de tijolos com alicerce de pedras, foi construído em uma ampla área de terreno com frente para a Praça Marechal Floriano Peixoto, esquina com a Rua Conceição, que tem início com os fundos da Igreja Matriz.
Com o desinteresse ou talvez desconhecimento dos descendentes, a casa ali existente foi sendo minada pelas intempéries até sua ruína total, e o terreno transformou-se em baldio, casa esta pertencente como moradia do Tenente Antonio Joaquim de Camargo, genro do fundador de Palmeira.


Nessas condições, foi que a prefeitura resolveu doar esse terreno ao estado, com a finalidade prefixada de ali ser construído o prédio para o Grupo Escolar, conforme se infere do ato municipal que transcrevemos em seguida: -
 Lei nº 70 de 10 de Agosto de 1905;
Art. 1º - fica desde já considerado devoluto o terreno compreendido na esquina da Rua Conceição e Praça Marechal Floriano Peixoto desta cidade;
Art.2º - Fica destinado o mesmo terreno para edificação do prédio para o Grupo Escolar Conselheiro Jesuíno Marcondes.
Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário.
Mando portanto a todas as autoridades a quem deva pertencer o conhecimento e execução da presente Lei, a cumprir inteiramente a que nela contem.
Cidade de Palmeira em doze de agosto de 1905.
Eu, Luiz Gonçalves Liça, Secretário interino da Prefeitura a escrevi. O Prefeito Manoel Pires de Araújo Vida.
Esta lei foi consequente de um ato anterior do Governo do estado, que resolveu mandar construir na cidade de Palmeira, um prédio para nele funcionarem as escolas primárias da sede do município, cujas aulas estavam sendo ministradas em aposentos acanhados e quase sempre em salas de própria residência do professor.
Esclarecemos, que o Decreto Estadual através do qual o Governo do estado concedeu a verba de até a quantia de 12:000$000 (Doze contos de Reis) para a construção do Grupo Escolar com denominação perpetua de Conselheiro Jesuíno Marcondes. Eras de nº 407 de três de setembro de 1904, assinado pelo então Governador do estado Vicente Machado da Silva Lima.
Em seguida, conseqüência desses atos, a construção foi logo iniciada, com ritmo acelerado e as obras estavam concluídas em fins de 1909.
Esses serviços foram executados pela empreiteira: Heitor Manente, de Ponta Grossa. Parte da mão-de-obra foram recrutados entre profissionais de reconhecida habilidade com residências local, e os demais, trazidos de outra cidade.
Pedro Perotta, Manoel Fernandes Lavrador e Jorge Pizzoni, foram os mestres pedreiros que cooperaram nos serviços do suntuosio edifício.
Dente os vindos de fora, mercê de suas habilitações profissionais, destacamos, como exímios artificiais que eram os jovens pedreiros: Paulo Krambeck e Romão Stoltz.
Paulo Krambeck, fixou-se definitivamente na Palmeira, contribuindo posteriormente como comerciante e cidadão probo, eficiente e progressista para o desenvolvimento econômico e social da terra que adotou para seu permanente domicilio.
A Inauguração do prédio, feito dentro de um cerimonial com muita pompa e com participação de todas as autoridades locais, e personalidades especialmente convidadas, e quase a totalidade dos residentes da cidade, deve ter sido realizado no primeiro trimestre de 1907, embora na fachada do prédio existisse, em visíveis algarismos, a indicação 1906 – ano exato em que fora ultimado a construção do majestoso edifício. Ano que vem completa o seu centenário.
O primeiro diretor da escola foi o professor Arthur Borges de Macedo.
Como zelador o primeiro a ser contratado, foi o Sr. Manoel Fernandes dos Santos, que tomou posse do cargo em 15 de Março de 1907.
Em 1912 existiam funcionando, duas cadeiras do sexo masculino, e duas do sexo feminino.
Como regentes de classe, podemos citar as professoras: Antonia Reginato, Sarita Arantes, Mirtes Cóodega, Maria da Luz Cordeiro e Corina Costa. Como professores nomeados: João Teophilo Gumy Junior, Aristeu Correia Bitencourt e os irmãos Francisco de Leônidas Ferreira da Costa.
Também até o final desse período (1912), tiveram exercício ali mais dois zeladores sendo eles: o Mestre Henrique e Nho Carlos de Oliveira Pinto, sendo este marido da respeitável e saudosa matrona palmeirense, a tão querida “Dona Porcina” a qual por sua vez em substituição ao seu marido, também por muitos anos exerceu com muito zelo, esforço e dedicação, as funções de zeladora do Grupo Escolar Conselheiro Jesuíno Marcondes, o primeiro estabelecimento oficial de ensino, que se construiu em nossa cidade.

Colaboração do Sr. Hugo Krambeck

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