quarta-feira, 12 de março de 2014

Visões do Passado - Ferraria Wansovski

Por: Luiz Gastão Gumy



De propriedade do Sr. Romão Wansovski, esta ferraria funcionou por muitos anos, no final da Rua Conceição próximo a chácara de Hugo Capraro e mais tarde é transferia para a Rua Conceição
Hoje vou falar sobre seu filho Antônio Romão Wansovski e os seus 52 anos de atividade nesta função.


Antônio Romão Wansovski (Toni), filho de Romão Wansovski e de Dª Maria Klimionte Wansovski, nasceu em Palmeira em 02/02/1937. Em 1952 com 15 anos de idade começou a trabalhar na ferraria ajudando seu pai, Ali eram fabricadas carroças sob encomenda tanto do pessoal da cidade como do interior que não tinham automóveis e precisavam trazer suas safras para a cidade. Junto ao seu pai conseguiam produzir quase que 2 carroças por semana, e não apenas carroças mas também eram fabricados grades, aterradores, arados, carpideiras e outros implementos agrícolas. Prestavam serviços para os Russos Brancos (Santa Cruz) que vinham acompanhar de perto os serviços do Antônio montando acampamento no terreno ao lado da ferraria, e ali consumiam todos os dias em que  ficavam aguardando, grande quantidade de broa e água corrente que traziam em garrafões, eles não tomavam água de poço. Para se emendar “caldear” uma chapa, havia uma máquina que deixava as chapas redondas, abria-se uma fresta em cada ponta que após serem bem  encaixadas colocava-se em fogo alto e sob uma bigorna batia-se bem até derreter-se e dar sua liga definitiva. O mais difícil era o processo de “puxar chapa” fazia-se um circulo no chão com nó de pinheiro, no meio colocava-se os arcos, sob um fogo intenso vermelhava-se em alta temperatura e na hora de bater as chapas tomava-se o cuidado de não queimar a roupa usando-se um avental especial para rebater as fagulhas de ferro quente. Em seguida esse arco quente era colocado na roda de madeira e imediatamente depositada em um tanque de água proporcionando assim um ajuste completo e seguro da chapa com a roda pois com esse processo térmico do calor com o frio a chapa diminuía de tamanho e se ajustava fortemente às quais rodavam por muitos anos.
Ali eram fabricadas 2 modelos de carroças que se diferenciavam assim: Na carroça Alemã as tábuas laterais eram pintadas de verde e as varetas de vermelho, na carroça Polonesa as tábuas eram pintadas de amarelo e as varetas de verde.
Contou que certa vez recebeu de um alemão de Witmarsum a maior encomenda de todos os tempos (200 carroças para serem levadas para o Maranhão), e como o Alemão deu um prazo para a entrega dessas carroças, foi obrigado a dividir os serviços com outros ferreiros pois, na época existiam em nossa cidade mais ou menos 12 ferrarias. Toni disse que foi uma época de ouro para os ferreiros da cidade. Também chegavam a mandar para fora do município muitos arados e vários outros implementos agrícolas para o Noroeste do Paraná. Em 1972 as encomendas fracassaram e ele começou a trabalhar com consertos de carrocerias de caminhões e carretas, sempre desempenhando bem os seus serviços e agradando os motoristas. Toni faleceu recentemente.




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