quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Visões do Passado - Nossa Querida Palmeira

Por: Luiz Gastão Gumy
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Em vão nossa memória tenta recordar velhos perfis desta antiga e simpática Cidade Clima do Brasil. Lembrar aqueles tempos de chão de terra arenosa, das raras casas e quintais com jeito de vida distante.
Seu primeiro prefeito foi o Capitão João Padilha de Oliveira, quando Palmeira recebeu o título de Cidade (Lei nº. 238 de 09/11/1897. Junto a ele vieram o Vigário Pe. Antonio Duarte dos Passos, Capitão Domingos Inácio de Araújo(Juiz de Paz), Dr. Tristão Cardoso de Meneses(Juiz de Direito), Pe. José Antonio de Camargo e Araújo(Presidente da Câmara).


Onde andarão as árvores vetustas e seculares? Que foram feitas das mangueiras rústicas onde as vacas leiteiras esperavam paciente a ordenha da tarde? Onde andarão nossos amiguinhos que empinavam papagaios ou brincavam de faroeste nos terrenos baldios, onde o mato crescia sem restrições? As saídas das matinês nas lindas tardes de domingos? Os bailinhos? Os carnavais de ruas?...Que saudades.
Casas de cal e tijolos, passeios de pedras, poucas ruas de leito calçado, árvores ornamentais raríssimas, poucos veículos motorizados que corriam célebres nas ruas de granito cinzento escuro. A limpeza substituiu a poeira de outros tempos e o leite agora vem de longas distâncias em sacos de plásticos. E não se ouve mais o mugir das vacas respondendo às súplicas dos terneiros que ficavam sem suas doses de leite.
Palmeira já teve num passado não muito distante, pequenas e importantes indústrias que deixaram provas de suas existências sendo: quatro cervejarias, fábrica de gasosas, fábrica de aguardente, vinagre e vinhos, fábrica de metros e grampos para roupas, caixinhas de madeira para guardar o chá Mate-Leão, caixinhas para uvas e garrafas de cervejas, fábrica de banha, fábrica de café, Fábrica e óleo de freio, fábrica de móveis, fábrica de tamancos, fábrica de carroças, duas fábricas de palhões, duas celárias, fábrica das famosas Cestas de Natal Amaral e tantas outras que desapareceram. Algumas por falta de continuidade familiar, outras por não suportarem o grande desenvolvimento tecnológico, mas, com certeza serão repostas através dos tempos, gerando empregos e o desenvolvimento da nossa querida Palmeira.
Diante dessa paisagem progressista, o ontem desapareceu sem expressão, e os perfis que marcaram duas épocas quase se confundem, pois, foram sendo substituídas gradativamente e, quando a gente viu, tudo estava mudado. Agora é assim a velha rua que se remoça e se modifica com o progresso. E é melhor do que ontem, porque o viver de cada época será sempre o melhor, muito embora a saudade costume colorir com tintas suaves o que ficou para trás na jornada sem fim do tempo.
Cotejar duas épocas e tentar estabelecer preferências é tolice saudosista que nos faz sofrer sem proveito. A cada época os seus usos e costumes, o seu jeito de viver. Querer viver hoje preso ao ontem é estacionar na escala evolutiva. Dizer que o tempo do pioneirismo passou é errado, pois na senda do progresso sem limites sempre haverá novos caminhos a desbravar, exigindo espírito de pioneirismo. Hoje já não abrimos veredas na selva desconhecida, mas estamos desbravando os caminhos do espaço infinito.
Por isso eu gosto muitíssimo de hoje, tanto como ontem, desta velha e simpática cidade que lentamente se renova e progride, mas que é sempre a mesma na tarefa de ser a nossa “Cidade Clima do Brasil”.

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