sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Visões do Passado - A Seresta de Ontem à Noite

Por: Luiz Gastão Gumy
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A chuva veio de mansinho e foi molhando, molhando os sapatos, encharcando os cabelos também, mas ninguém, deixou os seresteiros sozinhos.         
Eram, sem dúvida, todas as lágrimas dos velhos palmeirenses que já se foram e que se juntaram num caudal de lamento, para dizerem que estavam conosco na caminhada de casa em casa, ao relento.


Heitor de França, o poeta, sempre ele, comandava a precipitação noturna, e não se cansava de dizer pro Jesuíno:
-Não tem mesmo jeito esse teu povo da Palmeira, imagina que querem cantar modinhas quando o normal é rock pauleira.
O Tenente Paulino Martins Alves, maestro que tudo assistia, levantava a sua batuta, mas não regia. Balbuciava a orquestra pedindo silêncio que aquela não era hora de sinfonia.
Júlio Kosloski, o regente da banda, adivinha se não estava ele com um cigarrinho de palha pachorrentamente a enrolar! E falava baixinho:
- hoje, eu só quero escutar!
César Alves, torcedor fanático do Ypiranga Futebol Clube proclamava:- A Palmeira eu só não volto agora, porque no clássico Ypiranga e JAP, arrebentei meu guarda-chuva e posso me molhar.
Mas o velho Marqueto, folião de outros carnavais estava irrequieto. Queria agitar como nos bons tempos do Clube Palmeirense, quando costumava dizer: Vamos gente, terminar o carnaval na gafieira, lá no Clube do Palmeira.
E o grupo foi aumentando com cada saudoso palmeirense querendo dar seu recado, sem arrogância, quando surgiu a venerada educadora Emilia Ericksen Pereira afirmando – como canta bem esse meu jardim de infância;
Más a Baronesa do Tibagi, aquela do solar que hoje é museu, não deixou a bola cair;
- Quem primeiro jardins na Palmeira plantou fui eu, tanto que D. Pedro II a honraria a me concedeu. Ta aí o João Chede, o homem de imprensa, que não deixa mentir.
E a conversa foi ficando avolumada quando se ouviu um: psiu, psiu, era o Seu Daniel Mansani, que logo reclamou:...Pro meu gosto, esta seresta ta muito conversada!
Foi quando o Benjamim Malucelli redarguiu  - Pode deixar Daniel, eu também já lidei muito com essa gente. Aqui, como lá em Palmeira estão faltando umas biritas que a gente se entretém e a coisa fica diferente. Foi o quanto bastou para que São Pedro que a tudo assistia sonolento, resolvesse intervir: - Só por causa de uma serenata na Palmeira precisam fazer chacrinha uma hora dessas logo aqui na porta do céu? Não estão vendo que os anjinhos também precisam dormir?
Têm dó, São Pedro, deixa a gente ficar mais um pouquinho – lamentaram todos – Seresta igual a esta, ainda está por existir!

Palmeira, 18 de Outubro de 1986

Passados estes vinte e sete anos que estes versos foram escritos, é de autoria do nosso inesquecível amigo Palmeirense Sr. Raphael Chociai, ex-radialista, cidadão este que atualmente reside em Naviraí- MS. A ele o nosso respeito, a nossa saudade. A nossa eterna gratidão por estes seresteiros palmeirenses que por muitas noites nos fizeram sonhar. Na foto da esquerda para a direita estão em pé: Wenceslau Czap, Gilberto Teixeira de Freitas, Antonio Costa Filho. Agachados: Joel Chemin, Arnaldo Costa da Luz e Levi Macedo.

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