terça-feira, 29 de outubro de 2013

Visões do Passado - Sapataria Costa

Por: Luiz Gastão Gumy
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Luiz Costa, era o proprietário desta sapataria. Nasceu em Palmeira em data de 18/09/1913. Sua diversão principal era criar galo de briga, também gostava de caçar e pescar.
Aos treze anos de idade, aprendeu o oficio de sapateiro com o Sr. Pedro Gravonski, trabalhando com o mesmo até os 30 anos de idade. A sapataria do Sr. Pedro era instalada no prédio onde funcionava a Impressora Ipiranga. Desenvolveu a função de sapateiro com o Sr. Paulo Krambeck no antigo Curtume Krambeck, depois instalou sua sapataria na Rua Conceição num antigo prédio de madeira onde funcionou o açougue do Sr. Wenceslau Mayer, posteriormente instalou-se num barracão de madeira pertencente ao Sr. Carlos Taborda permanecendo ali por 10 anos e mais tarde definitivamente em sua residência um pouco mais acima onde permaneceu até seu falecimento.


Luiz Costa tinha apenas e tão somente o 2º ano primário, e com muito esforço e dedicação aprendeu logo a matemática e o mesmo fazia toda a sua contabilidade, restando apenas o Coletor conferir para fechar o livro fiscal.
Sua sapataria produzia enormes quantidades de calçados, sapatos, tamancos, sapatões e chinelos. Tudo era vendido para atacadistas da cidade, sendo os Srs. Alceu Vida e Elias Bacila os maiores compradores. Elias Bacila tinha sua loja na esquina da praça onde funcionou o Bar Central e ali, o Sr. Alceu Vida saía vender a produção.
Haviam outros comerciantes que compravam a produção de calçados sendo eles: João Dombroski, Juvenal Osternaki, Manoel Teixeira, João H.Santos, e Cláudio Opalinski (Vila Palmira).
A Sapataria Costa possuía oito funcionários, pois os pedidos eram tantos que era necessário trabalhar das 07:00 horas da manhã até altas horas da madrugada, operando com potentes máquinas de costura como as de marcas: Singer, Elegem e Patente Elástica sendo esta última vinda da Alemanha em data de 1906, hoje com  mais de 100 anos em perfeito funcionamento.
Como costumeiramente se faz em sapatarias até hoje, o famoso jogo do bicho, na época o Sr. Luiz Costa jogava todos os dias parte de seu lucro. Na Praça da Matriz, um pouco acima da Farmácia Capraro, havia uma banca de bicho, e o banqueiro era de origem Italiana, fazia todos os dias um sorteio na parte da tarde. Ele escrevia do lado de fora de uma caixinha de fósforo a primeira letra do bicho. No sótão da banca morava o bicheiro de nome Florisval, e este com um “trado” furou o assoalho e viu pelo furo o banqueiro escrever a letra “A”. Imediatamente subiu até a sapataria do Luiz e falou pra ele jogar na Águia ou Avestruz. E o Luiz jogou alto naquele dia (10 mil reis), e a tarde veio o resultado e o mesmo perdeu tudo, pois deu “Alefante”, o Italiano não sabia escrever bem o Português. Em outro sorteio o banqueiro escreveu na caixa “O Bicho Está na Praça”...muitos jogaram na borboleta por causa das flores na praça, outros jogaram no leão pois, os leõezinhos no portão do Clube Palmeirense chamava a atenção dos apostadores. A tarde saiu o resultado “Tigre” e novamente o Sr. Luiz não acertou, pois o banqueiro se referiu no zelador da praça muito conhecido por “Juca Tigre”. E assim o banqueiro todos os dias era o felizardo das apostas.
Luiz Costa era filho de Antonio Costa e Maria Gonçalves Costa. Era casado com Bernardina Fernandes Costa e teve 14 filhos sendo eles: Ida, Lourival, Lauro, Maria Elisa, Eunice, Leonilda, Antonio, Darcy, Leônidas, Roberto, Renato, Luiz Filho, Iraci e Dione. Um de seus filhos, o Lourival Costa (Lôle), antes de perder seu pai, abriu uma nova sapataria na esquina do Cemitério, e ficou ali por 35 anos chegando ali se aposentar. Mais tarde, isto é, em 1975 seu irmão o Darcy também vem para somar e dar  continuidade nos trabalhou de seu pai. Hoje com novo endereço, está localizada à Rua Teophilo José de Freitas, um pouco mais abaixo de onde estavam.

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