quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Visões do Passado - Alfaiataria Moderna de Antonio Capraro

Por: Luiz Gastão Gumy
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Antônio Capraro (Toníco) nasceu em Palmeira no dia 03/08/1896, filho de José Capraro (Imigrante de origem Italiana) e Da. Luíza Floran (Imigrante de origem Francesa), resolveu abraçar a profissão de alfaiate e começou a aprender a profissão com o Sr. Aldino Agotani. Em Janeiro de 1917 foi para São Paulo se especializar no ramo ingressando na Escola de Corte e Costura tendo como professor o Sr. Francisco Scotte, ficando lá por dois anos. Voltou a Palmeira e em 1930 abriu a firma com o nome de Alfaiataria Moderna na Rua XV de Novembro. Mais tarde, mudou-se para a Rua Conceição esquina com a Rua Padre Camargo. O prédio que aparece na foto, era de propriedade de um padre (Padre Camargo) que vendeu para uma família e posteriormente adquirido pelo Sr. Antonio Capraro pelo valor de 19:000$000 (dezenove contos de reis) para explorar o ramo de alfaiataria e vender diversos artigos como gravatas, chapéus, lenços, meias e fazendas para camisas e ternos.
Lembramo-nos da marca “Ramenzoni”, uma empresa de São Paulo com 3.000 funcionários distribuindo a marca para todo o Brasil, e aqui em Palmeira essa marca também foi muito bem aceita e comercializada pelas lojas. Eram bons tempos em que os armazéns da cidade comercializavam produtos soltos como feijão, arroz, farinha, açúcar, milho etc...,e quase todos viviam uma situação financeira folgada, e muitos cidadãos palmeirenses andavam muito elegantes usando o terno completo, (calça,colete,palitó e a gravata) também o tempo em que o suspensório era muito usado. Não havia  água encanada na cidade e muitas casas ainda não se utilizavam da energia elétrica gerada pela usina do salto que mesmo assim era desligada todas as noites as 22:00 horas, e era do lampião a querosene a luz que tínhamos.
Por volta de 1948-1949 pós-guerra, as quatro filhas do Sr. Antonio estudavam em colégio interno (Cajurú em Curitiba) e os dois filhos também internos no Colégio (Irmãos Maristas) em Curitiba.
A Alfaiataria Moderna possuía seis funcionários: Ernesto de Oliveira (Pimpão), Vergilio Bastos, Moises Gross, Irineu Natal Kapp, Miguel Swiech, e foi Gilberto Teixeira de Freitas quem cuidou da alfaiataria por três anos após a morte do Sr. Antônio. Alfredo Hass (Alfredinho) foi funcionário de “carteira fechada” termo chamado na época para o funcionário que iniciava e encerrava suas atividades no mesmo emprego.
Os ternos somente eram confeccionados sob encomenda em vários modelos e gostos dos clientes para festas, casamentos e outros eventos importantes na cidade. Alem de ternos, eram confeccionados também roupas para senhoras como tallier e casacos. Devido ao capricho do proprietário e funcionários da alfaiataria  na confecção das roupas, começaram a surgir encomendas de outras cidades como Irati, Ponta Grossa, Curitiba e Porto Amazonas,  solicitando confecções de bécas  para juizes, batinas para padre, uniformes para bandas militares, fardas para a polícia militar e se precisasse, o Sr.Antonio   tinha os riscos e desenhos de conjuntos de roupas para a marinha pois, havia se especializado nessas confecções em São Paulo.
Em várias ocasiões o Sr. Gilberto Teixeira de Freitas (Gilbertinho), pegava o trem e deslocava-se até Porto Amazonas para fazer a entrega de mais de dez ternos por semana. A luz que tocava as empresas da cidade vinha da usina do salto e, não existia a geladeira, televisão e muito menos uma máquina  de costura motorizada como temos hoje as “overloques”. O Sr. Antonio (Toníco) possuía seis máquinas da marca Singer funcionando direto no pedal, e nos finais de semana o Gilberto e outros funcionários levavam os aviamentos para trabalhar em casa, pois as encomendas eram muitas. Mais tarde, Gilberto passou a oficial de alfaiate (corte e costura).
Antônio Capraro teve nove irmãos: Nenê (solteira), Venâncio e Silvio (solteiros), Amália casada com Aldino Agottani, Aída casada com João H.Santos, Anair casada com José Capraro Junior(Bépe), Hugo casado com Ana Marques Capraro, e  Ottilia casada com Atílio Bastos.
Além de gostar do ramo de alfaiate, cuidava com muito carinho de um pomar e um parreiral que possuía ao lado de sua casa e fazia divisa com o lote do Sr. Júlio Koslowski à Rua Padre Camargo, para fabricação de um delicioso vinho branco e tinto somente para o consumo próprio. Antonio Capraro dominava bem o idioma italiano,  faleceu em 1976 com 80 anos de idade. Era casado com Eugênia Marins Capraro e tiveram seis filhos sendo: Fanny formada em advocacia, Neiva formada em música, Luizita e Nélly formadas professoras, e os filhos: Diogo Antonio formado em Advocacia era casado com Marly Nassar, José Eugênio, com escritório de prestação de serviço, curso superior incompleto, atuou por muitos anos no ramo de topografia, era casado com Luci Fontana.
Na fotografia aparece o Sr. Antonio Capraro (Toníco) encostado na porta e duas filhas menores nas janelas.

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