quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Visões do Passado - A Bodega de Balbina e José Cardoso

Por: Luiz Gastão Gumy
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Em uma época em que não havia supermercado e a indústria ainda não havia se desenvolvido, a população rural era numerosa e as pequenas propriedades eram responsáveis pela produção dos alimentos que abasteciam as cidades. O campo estava em franco desenvolvimento atraindo muita gente. Essa concentração estimulava o surgimento das casas de comércio, conhecidas como “bodegas”. Elas tinham as mercadorias básicas e uma característica peculiar que se identificava com essa clientela habituada com a vida simples, sendo a principal referência nas comunidades. Muitos proprietários, dada a influência natural que passavam a ter na vida social, tornavam-se políticos, outros ocupavam cargos da igreja, escola etc.


Corria o ano de 1934. Na Colônia Joanesdorff, município da Lapa, Ana Maria Bach, filha de Pedro Bach, moradora na localidade de Pugas (Palmeira), casou-se com Rodolfo Schimidt. O casal passou a morar com os pais de Rodolfo, onde instalaram uma casa de comércio, às margens da estrada que dá acesso à cidade da Lapa, do lado esquerdo, próximo à entrada da propriedade de Rodolfo Schafhauser.
No dia 22/02/1938, Rodolfo Schimidt faleceu, deixando dois filhos: Zacarias e Helena e também muitas dívidas relativas à bodega. Ana Maria ficou desnorteada e foi pedir ajuda a seu irmão Pedro, para que entrasse como sócio. Ele, porém, não aceitou, pois já tinha a sua carpintaria onde ali fabricava carroças, orientado-a que deveria dar outro rumo à vida, uma vez que a bodega estava na casa do sogro e Pedro receava que pudesse não dar certo.
Sugeriu, então, escrever uma carta para seu pai Pedro Bach, no Pugas, para que a Balbina viesse ajudá-la. Balbina estava trabalhando de empregada doméstica na casa de uma família de posse, em Ponta Grossa e a princípio recusou-se, mas diante do pedido do pai, concordou e prometeu para a família que breve voltaria. Chegando à Colônia Joanesdorff começou a ajudar a Ana Maria e pagaram todas as dívidas. Os negócios iam bem, então a Balbina disse que iria voltar para Ponta grossa, mas sua irmã insistiu para que ficasse.
Balbina, contrariada, concordou, mas impôs uma condição: ser sócia da bodega, ao que prontamente Ana Maria concordou. Organizaram a firma, mas a Balbina alertou que precisava sair dali, afinal o marido da Ana Maria havia morrido e o sogro dela poderia pedir o imóvel. Em setembro de 1939, aconteceu um baile na colônia e a Balbina pediu ao sobrinho Leopoldo que lhe fizesse companhia. Nessa noite, ela conheceu José Monteiro Cardoso, com que começou a namorar não sentindo mais vontade de voltar para Ponta grossa.
Antes, porém, em janeiro de 1939, Felipe Bach e André Hamerschimidt, moradores da Colômbia Mariental (Lapa), compraram um terreno na Colônia Joanesdorff (onde hoje estão as casas de Zélia e Zenaide Cardoso) e construíram uma bodega. Vendo que a única bodega do lugar, era administrada por mulheres, acharam que poderiam ser bem sucedidos, entrando na concorrência. Todavia, André somente queria vender a dinheiro com que o sócio Felipe não concordou.
Enquanto isso, as irmãs que negociavam mais na base de troca, iam cativando a freguesia e prosperando. Assim, em Dezembro de 1940, André e Felipe acharam por bem fechar a bodega, colocando o imóvel a venda, o qual foi comprado por Balbina e José Cardoso, que haviam se casado em 21/09/1940. Não tendo todo o dinheiro, emprestaram uma parte do Sr. Joaquim de Paula Bueno.
Em 1941, foram morar na nova propriedade. Balbina, com tino para o comércio, estava sempre a cativar os fregueses e tudo ia bem. Em pouco tempo pagaram o que deviam e já tinham um bom estoque de mercadorias, Aumentaram a casa e a bodega. Ana Maria, depois de algum tempo, casou-se novamente e deixou a sociedade.
José Monteiro Cardoso teve uma vida social ativa, sendo eleito vereador e presidente do Sindicato Rural da Lapa, além de estar sempre emprestando seu apoio à comunidade lapiana, constituindo-se assim, em um destaque, ao lado de sua esposa Bárbara Bach (Balbina), no comércio.
No Sítio Minguinho, de propriedade e Arnoldo Monteiro Bach, um Memorial dessa bodega foi erguido, em homenagem a Balbina e José Cardoso.


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