sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Visões do Passado - Cine Teatro Municipal

Por: Luiz Gastão Gumy
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IHGP - Cine Teatro Municipal de Palmeira


“QUE FILME VAI PASSAR DOMINGO?"

Esta era a pergunta que adultos e crianças faziam uns aos outros todos os finais de semana. Vamos recordar?...Quando pequeno,  para adquirir do meu pai  CR$l,00 (um cruzeiro) para o ingresso, aquela nota que tinha estampada ao centro a efigie do Almirante Tamandaré, precisava endireitar pregos a semana toda. Outros colegas naturalmente tinham outras tarefas a cumprirem para conseguirem o dinheiro para o ingresso. Quando os cartazes anunciavam um clássico, ficávamos naquela expectativa esperando os dias passarem pois, a cada final da seção passavam seriados com duração de 15 minutos. Lembram da Espada do Rei Arthur? A Mulher Leopardo? Zorro,  Durango Kid, Buck Jones... e tantos outros...que saudades. Mesmo que o filme não fosse do agrado, pagávamos mesmo assim somente para assistir os seriados que sempre ao final o mocinho passava por apuros e a película terminava.
Queríamos ver urgentemente o que aconteceria com ele. Chegava outro Domingo, sem dinheiro novamente, pedia ao meu pai e ele me dava mais pregos e assim por diante. Antes da seção iniciar, ficávamos ouvindo lindos tangos, boleros e tantas outras páginas musicais do passado. Quando a seção terminava, reuníamos em cinco ou mais colegas e descíamos  até a serraria do Sr.Minoli (Sepilho da Madeireira) que ficava aos fundos do Ypiranga  e lá tentávamos imitar as cenas cinematográficas e todos queriam ser o “mocinho”, e como era divertido aqueles tempos. Lembram do Sr. César Alves porteiro do cinema? Pois bem, ficávamos ao lado dele, encostados na parede esperando poder entrar de “ratão”. Quando faltavam 5 minutos para o filme encerrar ele mandava entrar. Quando tinha futebol na cidade, ele fanático e torcedor do Ypiranga corria no Clube Palmeirense para saber o resultado e agente aproveitava da oportunidade e entrava correndo às vezes batendo a cara na porta que ele havia fechado entre as cortinas sem que nós percebêssemos. Mais tarde , bem mais crescido ia ao cinema assistir grandes clássicos como Cleópatra, Bem-Hur, E O Vento Levou e tantos outros clássicos que Hollywood produzia. Antes de começar o filme, saía da missa, dava umas voltinhas pela praça para a costumeira paquera, comprava o girassol que não podia faltar de jeito nenhum ou uma pipoquinha do Sr. José Nascimento (Zé Pipoqueiro) lembram?...olhava os anúncios de outros filmes, comprava o ingresso, passava na bamboniere de doces da D.Nair Ramos comprar balas, cumprimentava o Sr. Cesar  e lá se ia. Escolhia o mais privilegiado lugar para um descanso ou, dava umas voltinhas pelos corredores antes do filme iniciar até as luzes começarem a piscar nas diversas tonalidades, e um disco de músicas de  Bandas Militares tocava, dando o sinal para todos sentarem pois, o filme estava para começar. Então uma emoção tomava conta da gente  era o tão famoso e esperado filme que estava para começar. Antes do filme, era apresentado o “Jornal da Tela”, “Canal 100” de esportes, notícias da área política, traillers etc...Quando o filme era de suspense ou terror, um silencio tomava conta do local, somente se escutavam as casquinhas de girassol estalarem e às vezes acontecia naquele exato momento um estrondo por algum defeito no equipamento das caixas de som e todos gritavam de susto pois ninguém esperava. Terminava o filme, ficávamos na praça comentando a respeito do mesmo, sempre num clima de muita paz e alegria. Podíamos ficar na praça  somente até as 23: 00 horas e aí por diante éramos repreendidos pela polícia como um toque de recolher. Não ficava ninguém por ali. Hoje existem menores amanhecendo na praça. Lembram  das seções gratuitas?...eram nas terças-feiras e depois mudaram para as quintas-feiras?...passavam  bons filmes também.      Em quase todo o Brasil as salas cinematográficas fecharam. Seria o videocassete?...não concordo. Na minha opinião  foram os pobres filmes nacionais pornográficos que acabaram com as salas de cinema pois,  não havia  mais motivos para entrarmos com nossas esposas ou filhas ali. O Cine Teatro Municipal foi palco de muitos acontecimentos importantes como: apresentações de peças teatrais, shows de calouros, coral, bandas, orquestras, solenidades de formaturas, encontros religiosos, sem contar os namoros que ali aconteceram pois, muitos casamentos dali se originaram.  Inaugurado em 07/04/1951, Benjamim Malucelli prefeito na época, sentindo a necessidade de dotar a cidade de um prédio condizente com o seu progresso, que pudesse oferecer mais conforto à administração e ao público, idealizou e construiu o majestoso prédio que hoje ornamenta a nossa principal praça, proporcionando a maior fonte de renda da Prefeitura. Com o Cine Teatro Municipal,  Benjamim Malucelli procurou dar a todos os Palmeirenses, principalmente à classe operária, o direito a momentos de lazer. Os possantes aparelhos projetores foram doados pelo Governo do Sr. Moisés Lupion. Em outubro do mesmo ano é eleito o novo Prefeito de Palmeira Sr.Alfredo Bertoldo Klas, o qual proporcionou  entrada franca somente aos componentes da Banda Municipal e familiares dos mesmos. No inicio de tudo, as fitas de filmes eram estreitas, as famosas “super 8” e a imagem na tela era projetada na medida de 4 x 4. Somente em 1955 com as novas tecnologias cinematográficas, foi lançado no mercado fitas de filmes  de 35mm. , o que dizíamos “tela inteira”, e que foi necessário a instalação de uma nova e moderna tela. Para brindar este acontecimento foi projetado em nosso cinema  o primeiro filme em  “Cinemascope”  “ Casa de Chá do Luar de Agosto” com Glen Ford. Os  funcionários que trabalharam no Cine Teatro Municipal ao longo destes cinqüenta anos foram: Eletricistas: Arturo Prevedelo,  Antenor Ferreira de Albuquerque. Gerentes:  Enéas Kosloski, David Geraldo Almeida Santos Filho e Francisco Eduardo Schuhlly. Fiscais: Ídolo Lançoni (Lilo), Antonio José Passoni (Passoca) e Luiz Sequinelli. Tesoureiros: Davina Bornancim e José Perotta, Operadores de Projetor: José Rogério de Paula, Antônio Roberto de Oliveira (Chichico), Antoneli Dusi (Nélinho) e João Maria Teixeira de Freitas. Auxiliar de Operador de Projetor: Gilson Roberto Teixeira de Freitas. Bilheteiros: Adelaide Marques Kosloski, Adir Stadler, Josenir  Schroeder, Elisa Marlene Bahia dos Santos e Ítalo Barletta. Porteiros: Cesar Alves, Carlos Bahia dos Santos e João Baptista Teleginski. Zeladoras: Elisa Batista dos Santos, Gilda Amâncio dos Santos, Izaura Borges de Freitas e Izaura Ferreira Coelho. Vendedora na Bamboniere: Nair Ramos.
Funcionários que também prestaram serviços no Cine Teatro Municipal, emprestados de outros departamentos e que não constam seus nomes em documentos mas,  existem testemunhas: Operador de Projetor: Sebastião Costa Junior, Porteiro: Diogenes Reis e Gastão Gumy, Fiscal: Osvaldo Gumy, Bilheteira: Denize dos Santos, Gerente: Osmair de Freitas, Tesoureiro: Zélia Schon. Hoje, totalmente reformado, o Cine Teatro Municipal servirá exclusivamente para eventos culturais e quem  sabe um dia as estrelas de Hollywood voltem a brilhar naquela casa de espetáculos e possamos matar a saudade daqueles bons tempos. A verba destinada para as reformas internas do cinema  foi conseguida com o Deputado Federal Sr.Flávio Arns  junto ao Ministério da Cultura na gestão do atual prefeito Mussoline Mansani, sendo R$ 60.000,00 da União e R$ 20.000,00 do Município. Com isto temos de volta o nosso querido Cine Teatro Municipal totalmente reformado...e como ficou bonito.   

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