sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A Escravidão em Palmeira...Existiu?

Por: Vera Lucia de Oliveira Mayer
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13 de Maio - dia a abolição da escravidão no Brasil.
A Escravidão em Palmeira... Existiu?

O livro “Raízes de Palmeira” de José Carlos Veiga Lopes, traz dados que comprovam a existência de escravos em nosso município. Pesquisa de vários inventários em que se relacionam números de escravos arrolados como patrimônio.
Também pode-se verificar através das antigas fazendas vestígios da presença do trabalho escravo, que, apesar de um número pequeno comparado com outras regiões, também foi muito utilizado como mão-de-obra.
A existência de escravos negros na região fica evidente através de visitas feitas à essas fazendas, as quais possuem, até os dias de hoje, casas de estilo colonial e com a senzala ao lado. 

Na fazenda Conceição, situada no “Rincão do Manhoso”, construída no final do século XVIII encontra-se vestígios da presença escrava na construção de um muro de pedra que a circunda, a existência de uma senzala que, apesar de algumas modificações na sua estrutura, ainda é possível perceber como os escravos viviam.   
A senzala era pequena, de chão batido e com enormes portas, que hoje se transformaram em janelas, e um moinho manual para cereal muito usado pelos escravos da Fazenda da Conceição, bem como da Fazenda Palmeira.
A existência de escravos em Palmeira também é comprovada através de pesquisa nos livros de registros de compra e venda de escravos, nos cartórios da cidade. 
Nota-se também a escravidão em nossa região quando se estuda a comunidade do Sutil, que pertencia a Palmeira. Lá um reduto de descendentes de escravos que vivem a mais de 150 anos. Cerca de 24 famílias, mais ou menos 130 pessoas que herdaram as terras da fazenda Santa Cruz, de Maria Clara do Nascimento. A Colônia Sutil hoje pertence a Ponta Grossa e encontra em processo, junto ao INCRA, como uma comunidade Quilombola.
Outra curiosidade que comprava a escravidão em Palmeira é o relato que Moysés Marcondes faz em sua obra “Pae e Patrono”, pag. 201, quando da visita da Princesa Isabel e seu esposo ao Paraná. O casal imperial foi hospedado em Palmeira por Jesuíno Marcondes em 7 de dezembro de 1884, apenas quatro anos portanto, da Lei “Áurea”. Nesta noite como presente à Princesa, Jesuíno Marcondes e sua família entregam 52 cartas de liberdade a escravos. Por certo que em 1888 a partir do dia 13 de maio, sem podermos precisar quantos, todos foram alforriados.

4 comentários:

  1. Ronald Pedro Catarino16 de agosto de 2013 15:19

    Maravilhoso esclarecimento, histórico e esclarecedor, incentiva a pesquisa. Visitei Palmeira muitas vezes nas décadas de 60 e 70, viajei de trem, conheci as diligências usadas para enterro, uma preta e uma branca, me hospedei no hotel Central...em outro momento inesquecível, estive com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Obrigado pela resposta e oportunidade de declarar minha simpatia por esta cidade querida e acolhedora.

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    1. Com é bom saber sobre isso, Ronald! Intenção realmente é essa que você comentou e com o tempo vamos mostrar mais sobre a história de Palmeira e região.

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  2. Primeiro, com todo respeito, quando nos referimos a tempo, usamos o verbo haver na terceira pessoa do singular. Assim o correto: ...descendentes de escravos que vivem há mais de 150 anos. Segundo: basta pesquisar os registros época na Paróquia, nos quais constam anotações de batismo, dando descrição dos pais. Interessante que nesses registros constam, por exemplo, João da família Santos. Suponho que daí se originaram os sobrenomes quando do fim da escravatura, no caso seria João dos Santos. A estes dados tive acesso em 196?, quando o Pe. Fernando (?) decidiu fazer um índice dos registros. Muito interessante.

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